quarta-feira, 23 de março de 2011

Guerra dos Seis Dias e Guerra do Yom Kippur - 3º ano (Millenium)

Guerra dos Seis Dias (1967)



Depois de colocar em prática sua política nacionalista, Nasser inicia a promoção do pan-arabismo. Forma com a Síria (também aliada econômico-militar da URSS) e com a Jordânia, uma frente de luta contra o inimigo comum dos árabes: Israel.
Porém, diante da descoberta israelense das pretensões de Nasser, Israel promove um ataque aéreo surpreendente na manhã de 5 de junho de 1967. Acaba com todos os aviões e deixa os árabes completamente sem força aérea.
Com uma enorme vantagem militar, seis dias foram o suficiente para Israel ocupar do Egito, o Sinai e a Faixa de Gaza (aprovada pela ONU, em 1947, como parte do território Palestino, era controlada pelo Egito desde o fim da guerra de 1948/49); da Síria, ocupa as Colinas de Gola e da Jordânia, a Cisjordânia (também parte do território palestino votado pela ONU, mas ocupado pela Jordânia na Guerra de Independência de 1948/49). Com a ocupação da margem ocidental do Rio Jordão, Israel também fica com o lado leste (árabe) de Jerusalém, e transfere para a cidade, toda a administração do país.
Após a enorme derrota, o líder árabe, Gamal Abdel Nasser, anuncia a sua renúncia e se reconhece como o único culpado pela humilhante derrota de seu povo. Com esse golpe publicitário, Nasser permaneceu no poder até sua morte, três anos depois.

Guerra do Yom Kippur (1973)

Com a morte de Nasser, em 1970, Anuar Sadat, seu vice-presidente, sobe ao poder. Oficialmente, sua política continua nacionalista e, pretensamente pan-arabista, apesar de não mais contar com o apoio jordaniano (com a derrota na Guerra dos Seis Dias, o Rei Hussein, da Jordânia, rompe com o Egito, e passa a adotar uma prática que, em muitas vezes, agrava Israel). Porém, o nasserismo, de fato, é substituído por uma política de rearmamento dos árabes, que visa à recuperação dos territórios ocupados, em 1967.
Em 1972, na procura de regionalizar o conflito árabe-israelense, Sadat expulsa os conselheiros militares soviéticos do Cairo (capital). No ano seguinte, no dia do feriado religioso mais importante do povo judeu, o Yom Kippur (Dia do Perdão), Egito e Síria atacam Israel de surpresa (respondendo à surpresa da guerra anterior).
A Síria, ao norte, ocupa as Colinas de Gola, enquanto o Egito consegue o controle de toda a faixa do canal. Mas, com o contra-ataque de Israel, bombardeando Damasco (capital da Síria), os sírios são obrigados a recuar. No Sinai, os israelenses cruzaram o canal e cortaram o fornecimento de comida e munição para os egípcios.
Quando, mais uma vez, a superioridade militar de Israel pretende promover um massacre árabe, EUA e URSS intervêm e exigem o final da guerra. Praticamente, nada muda territorialmente com o final da guerra. A sua grande conseqüência, já anunciada em 1972, com a expulsão dos conselheiros militares soviéticos do Egito, é a aproximação de Sadat e os EUA - portanto, aproximação também do aliado norte-americano, Israel.
Com essa aproximação, o Egito perdeu a única coisa que teve efetivamente, a liderança do mundo árabe, calcada na oposição a Israel.
Em 1975, o Egito consegue a abertura do Canal de Suez fechado desde a Guerra dos Seis Dias (1967). Em 1979, é concluído o Tratado de Camp David (EUA), entre Egito (representado pelo seu presidente Anuar Sadat) e Israel (representado pelo seu primeiro-ministro, Menahem Begin). Mediado pelo então presidente norte-americano, Jimmy Carter, o acordo devolveu ao Egito o Sinai (mas não a faixa de Gaza).
Os grandes vitoriosos do acordo foram os EUA, que consolidaram a conquista de mais uma área de influência (até 1972, parceira da URSS), e Israel, que neutralizou o Egito e trocou “paz por terra”. O maior derrotado, apesar da reconquista da terra, foi o Egito. O Sinai sempre foi egípcio, e sua conquista por Israel, em 1967, só foi implementada para que a região pudesse ser barganhada, mais tarde, em troca de alguma coisa. No caso, paz. Nunca mais, depois desse acordo, o mundo assistiu a outra guerra árabe-israelense (a Guerra do Golfo, em 1991 - que mais adiante estudaremos -, não foi árabe-israelense, apesar das tentativas de Sadam Hussein), assim como também, nunca mais apareceu uma real liderança árabe. A Faixa de Gaza, porém, faz parte da Palestina histórica (da “Terra Prometida” do povo hebreu - origem étnica dos judeus). Logo depois da conquista (1967), começa a ser colonizada por judeus, assim como a Cisjordânia, o que demonstra a não pretensão israelense em devolvê-las. As Colinas de Gola, território pertencente à Síria, até 1967, não têm, também, importância histórica para Israel, apenas importância estratégica. Lá do alto, é possível controlar a capital síria de Damasco, e existe um míssil apontado para ela.
Após o acordo de Camp David, o Egito passa a ser acusado, pelos árabes, de grande traidor do seu povo - principalmente pela Síria e pela Jordânia, que não foram convidadas a sentar-se à mesa e negociar os territórios perdidos na mesma guerra em que o Eito perdeu o Sinai. Em 1981, Anuar Sadat é assassinado por um fundamentalista egípcio.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Guerra do Canal de Suez (1956) - 3º ano (Millenium)

Em 1953, o General Gamal Abdel Nasser sobe ao poder no Egito e apresenta seu projeto unificador do povo árabe (pan-arabismo) e sua política nacionalista.
Mesmo que, sublinearmente, o pan-arabismo ratificava a oposição árabe ao Estado de Israel - sob a liderança de Nasser, os árabes enxergam a união contra o inimigo comum de seu povo. Em tempos de guerra fria, com Israel pertencente a área de influência dos EUA, Nasser, inimigo de Israel e, portanto, também dos EUA, inaugura um período de cooperação militar entre o Egito e a URSS.
Colocando em prática seu projeto nacionalista, o presidente do Egito anuncia, em 1956, a nacionalização da Companhia Universal do Canal de Suez, que une o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo (rota tradicional do petróleo), cujos controladores são França e Inglaterra (potências decadentes na Guerra Fria).
A atitude nasserista provocou a organização clandestina de uma ação anglo-francesa e israelense - Israel pretende uma ação militar que enfraqueça o Egito e previna uma política opositora mais direta.
A estratégia dos três países contra o Egito prevê um ataque inicial de Israel no Sinai (território egípcio) combinado com um ultimato anglo-francês, que exige a retirada das tropas israelenses das terras do Egito, ou seja, ingleses e franceses ameaçam Israel de invadir o Egito, seu inimigo.
Dia 29 de outubro os israelenses invadem o Sinai, dia 30, chega o ultimato anglo-francês, seguido de um bombardeio, no dia seguinte, contra Port Said (entrada do Canal ) e contra o Cairo.
A vitória militar anglo-franco-israelense, porém, transforma-se em derrota diplomática. Em 4 de novembro, a aliada do Egito, URSS, envia mensagens aos ingleses, franceses e israelenses, ameaçando, sutilmente, disparar mísseis estratégicos sobre Londres e Paris, caso a humilhação aos árabes continuasse. Mais que depressa, as antigas potências colonialistas pedem a ajuda norte-americana. Os EUA exigem da Inglaterra a retirada das tropas do canal. França e Inglaterra suspendem as ofensivas e se retiram. Nasser nacionaliza o Canal de Suez e se transforma no maior líder do Terceiro Mundo e no único líder árabe, até os nossos dias.

sábado, 12 de março de 2011

O que é mesmo terrorismo? (Paulo Fagundes Vizentini) - Millenium

O terrorismo é um fenômeno que é recorrente na história. Ele reaparece em épocas de crise, em épocas de certa assimetria de poder: um lado não tem como lutar de forma convencional, recorre a esse tipo de luta diferente.
Eu diria que essa onda atual é sintoma de duas coisas: primeira, uma herança da época de Reagan, principalmente. O então presidente americano Reagan, para combater os soviéticos no Afeganistão estimulou organizações islâmicas e outros. O próprio Bin Laden é um homem que trabalhou para os EUA, na década de 80. Para combater todas as tendências de esquerda, as revoluções, as modernizações, e manter aqueles países no atraso, os americanos estimularam estes grupos.
De certa forma, estes grupos perdem um pouco a razão de ser, porque depois do fim da guerra fria, eles não tinham mais utilidade e os EUA os abandonara. Como só sabiam fazer isso, eles se voltaram contra o Ocidente.

A serviço de quem?

Não quero dizer também que esses grupos eram tão autônomos assim. Se você vê lógica desses atentados que ocorrem, eles justificam as ações americanas. Até hoje a gente não tem quase nenhuma evidência sobre o atentado de 11 de setembro. Nenhum dos dirigentes foi capturado, nós não temos prova absolutamente de nada. Portanto, tudo isto é uma esfera misteriosa e o terrorismo tem sido um instrumento muito útil para criar uma agenda militarista intervencionista no mundo, sem que a gente saiba exatamente quem faz estes atentados. É evidente que quando eu quando falo quem faz, eu não quero dizer quem puxou o gatilho. Quem puxa o gatilho é um pobre coitado que nem sabe direito o que está fazendo. O que nos interessa saber é quem é o cérebro que está por trás.
O terrorismo sempre é um meio, ele nunca é um fim. Porque você não pode criar um mundo baseado no terrorismo. É evidente que existem pequenos grupos de fanáticos, que acham que podem submeter o Ocidente através do terrorismo. Mas terrorismo certamente é um pouco o resultado de um a impotência. Agora, esse é um mundo desconhecido, é como o mundo da espionagem, a gente não sabe quem é quem.
É estranho, nesses atentados que ocorreram na Chechênia e na Arábia Saudita, que são atentados que ocorreram em dois países que se opuseram à guerra, e mais ainda, são atentados que ocorreram depois da guerra. Se a Al Qaeda queria mostrar força e provocar dano, ela teria feito esses atentados durante a guerra. Por que esses atentados são feitos depois da guerra, quando os EUA querem reestruturar suas relações com esses países que não os apoiaram e justamente nos países que não os apoiaram?

Revolução conservadora

Além dessa agenda de reafirmação mundial do poder americano, eu acho que há um problema silencioso que nós não conhecemos. Quando a gente fala com um dos norte-americanos democráticos, pessoas progressistas, a gente se dá conta disto. Os conservadores ocuparam vários ministérios nos EUA. Eles estão colocando juízes ultra-conservadores nos seus postos de mando, na Suprema Corte; eles estão cerceando liberdades, que eram constitucionais. Durante algumas décadas, se tentou elevar a qualidade de vida da população negra, o movimento dos direitos civis, etc. Agora, os EUA estão dando para trás. E a população está até desencantada com tudo e está com medo, e ela aceita, esse governo. O que o governo disser que é necessário fazer para garantir a segurança, a população vai aceitar.
Uma pesquisa de uma instituição de opinião dos EUA fez um levantamento estarrecedor: 40% dos americanos não sabem dizer onde fica o Canadá. Portanto, dizer que o Iraque está envolvido nisto ou naquilo, colou na maioria da população. Eu acho que está havendo uma revolução conservadora dentro dos EUA. Espero que haja uma reação da população americana a esta visão obscurantista do mundo, que vai inclusive prejudicar o seu modo de vida. Agora, qualquer atentado vai dar nova arma para o Bush fazer o que ele quer.


Questões para debate

1. Por que tanto mistério em torno do terrorismo?

2. O terrorismo justifica-se por se mesmo? Explique sua resposta.

3. Quais os efeitos para o mundo da “revolução conservadora” do governo Bush?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Guerra de Independência de Israel - 3ª série (Millenium)

O Estado de Israel está no território da Palestina histórica (antiga Canaã - Terra Prometida do povo hebreu). Essa região, disputada por muitos impérios, assistiu à perseguição dos romanos ao povo judeu, que por ser monoteísta, recusava reconhecer traços divinos no Imperador de Roma. Expulsos da Palestina, no ano de 70 d.C, os judeus se dispersaram pelo mundo, mas mantiveram seus laços culturais e históricos.
No século XIX, iniciou-se um movimento internacional de criação de um Estado para o povo judeu - disperso pelo mundo - o movimento sionista. Através desse movimento, e com o financiamento de organizações judaicas, inúmeros fluxos migratórios foram em direção à Palestina (“retorno à Pátria”).
Durante a Primeira Guerra (1914 - 1918), a Palestina, até então controlada pelo Império Turco-Otomano, passa ao controle britânico. Antes mesmo de acabar o conflito mundial, em 1917, o secretário dos Negócios Estrangeiros de Londres, Lord Balfour, proclama a sua declaração - anuncia a intenção de criar um “lar nacional” para o povo judeu na Palestina, já que, em 1914, cerca de cem mil judeus imigrados, trabalhavam em colônias agrícolas na região.
Porém, somente após a Segunda Guerra (1939-1945), com o declínio inglês somado à indignação internacional frente aos horrores sofridos pelos judeus na Alemanha nazista, a Declaração de Balfour foi reestudada.
Em 1947, com os votos soviéticos e norte-americanos, a ONU aprova a partilha da Palestina: um Estado com o nome de Palestina, com onze mil e quinhentos quilômetros, dividido em dois: para os árabes palestinos (cerca de um milhão); e outro com o nome de Israel, com catorze mil quilômetros, para os judeus (cerca de setecentos mil).




Apesar de aprovado, o mapa da partilha nunca foi concretizado. Quando os ingleses, até então controladores da terra, foram embora (1948), como previa o acordo, no lugar da configuração da partilha, explode a primeira guerra árabe-israelense, que ficou conhecida como Guerra de Independência de Israel (1948-1949).
Essa guerra opôs os países árabes vizinhos da Palestina (Liga Árabe) - Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Síria - descontentes com a criação, pela ONU, de um Estado completamente diferente da cultura árabe, bem no meio do Oriente Médio, e o Estado de Israel.
Os únicos que saíram perdendo com a guerra foram os palestinos, que perderam completamente o território para Israel (as milícias israelenses aumentaram 50% o território concedido ao povo judeu, com a total ocupação da Galiléia - norte) e para os árabes vizinhos (a Jordânia ocupou a Cisjordânia - lado ocidental do Rio Jordão - e o Egito ocupou a Faixa de Gaza).
Quando, em 1947, a ONU aprovou a partilha da Palestina, a cidade de Jerusalém, localizada no interior da Cisjordânia, sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos, ficaria como patrimônio internacional. Com o conflito de 1948-1949, a cidade foi dividida: a parte oriental ficou sob administração jordaniana e a parte ocidental sob administração israelense.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Oriente Médio - 3ª série


Poucos lugares no mundo ocupam tanto espaço na mídia falada e escrita como o Oriente Médio, onde estão situados Israel e a região da Palestina.

Uma localização estratégica.

O Sudoeste da Ásia ou Oriente Médio está estrategicamente localizado entre os três continentes que compõem o Velho Mundo: Europa, Ásia e África. A região é ponto de passagem entre o Leste e o Sudeste da Ásia e a bacia do Mediterrâneo, que a coloca em contato com o mundo ocidental.
Após o término da construção do canal de Suez, em 1869, em 1869, que concretizou a ligação entre o mar Vermelho e o mar Mediterrâneo, passa pelo Oriente Médio rotas de comércio provenientes do sul e do Sudeste da Ásia, do Extremo Oriente e da Oceania, em direção aos portos europeus. Por outro lado, os países do Oriente Médio são uns pontos de partida das principais linhas do comércio internacional de petróleo, uma vez que os maiores produtores dessa fonte de energia encontram-se nessa região.
Além da importância econômica, esses pontos de passagem são quase sempre focos de tensão geopolítica, em razão dos inúmeros conflitos que fazem a região ser conhecida como “barril de pólvora”.
O Egito localizado na África do Norte, sempre esteve ligado aos conflitos do Oriente Médio, por fazer parte do mundo árabe e possuir uma pequena faixa em terras asiáticas: a península do Sinai.
Na península Arábica estão abrigados países produtores de petróleo, entre os quais se destaca a Arábia Saudita, que pode ser considerada uma potência regional. Em geral, são países que se caracterizam por possuir governos pouco democráticos e enorme diferença na distribuição de renda entre sua população.
Em relação aos países da Mesopotâmia, que significa entre rios, é uma região localizada predominantemente entre os rios Tigre e Eufrates. Área de ocupação muito antiga foi o berço de civilizações como a dos assírios, dos caldeus e dos babilônios. Consideraremos nessa região a Síria e o Iraque.
A Síria situada no litoral mediterrâneo é beneficiada por uma posição geográfica favorável, uma vez que é ponto de passagem entre esse mar e outros países do Oriente Médio, como Iraque, Irã e outros.
O Iraque é um país rico em petróleo.
A Turquia divide-se entre a Europa e a Ásia de Sudoeste, sendo a maior parte de seu território nesse continente. Na geopolítica atual, a Turquia está mais próxima da Europa, fazendo parte da OTAN e com pretensões de ingressar na União Europeia. É considerado um país emergente.
Jordânia é um país fechado para o mar, não possui petróleo e vive na dependência da geopolítica regional.
No litoral do Mediterrâneo destacam-se Chipre, Líbano e Palestina. O Líbano é caracterizado por uma enorme variedade étnico religiosa, o que já custou ao país uma guerra civil de vinte anos. Na região da Palestina está o Estado de Israel, que disputa com os árabes a posse da região. Por fim, outros dois países são muito importantes para a geopolítica local:

• Irã - Antiga Pérsia e a primeira República Islâmica do mundo. Os radicais islâmicos só voltaram ao poder em 1979, quando uma revolução islâmica derrubou o governo do xá Reza Pahlevi, que, apoiado pelos EUA, procurou instalar um regime com características ocidentais no Irã.
O líder da revolução, aiatolá Khomeini, declarou o país uma República Islâmica, a si mesmo como autoridade suprema e os EUA como o grande inimigo, por ter apoiado a sangrenta ditadura do Xá.
Como uma teocracia, o Irã é regido por leis religiosas, baseadas no livro sagrado do Corão. As Forças Armadas, a polícia e os serviços de segurança são controlados pelo chefe espiritual, que tem o título de aiatolá. A imprensa é vigiada e bebidas alcoólicas são proibidas. As mulheres são obrigadas a usar um véu cobrindo o rosto, mas no Irã podem trabalhar e ocupar cargos políticos.
A importância do Irã vem de sua posição estratégica no Oriente Médio e por suas reservas de petróleo.
O Presidente do país em 2001, religioso mais liberal procura estabelecer um governo mais democrático.
Em 2004, o Irã foi apontado como provável dono de um importante arsenal nuclear, que inclui mísseis de longo alcance e ogivas nucleares.

• Afeganistão - Fica no Centro-Oeste da Ásia, em uma região estratégica, que faz fronteira com pontos problemáticos do mundo, como o Irã, o Paquistão e as ex-repúblicas soviéticas da Ásia central.


O Islã - Entre a Paz e o Terrorismo

“Cinco vezes ao dia para tudo no país. Até a globalização. São os momentos dedicados a Alá. O muçulmano ajoelha-se e reza”.
(Próxima Viagem, ago 2000, p. 70)

Essa frase sintetiza a devoção do fiel a Alá, nos países de religião muçulmana. O islamismo é a religião que mais cresce no mundo. Deve passar o cristianismo, hoje religião dominante. A maior concentração está na Ásia e na África, embora tenha se expandido muito na Europa, nos EUA e nas ex-repúblicas soviéticas.


ZERO HORA PORTO ALEGRE, 29 DE ABRIL DE 2004

Tailândia reprime revolta de militares islâmicos

Ao menos 112 pessoas, a maioria adolescentes, morreram nas províncias da região Sul, em um dos dias mais sangrentos do país.

Essas são as duas faces do Islã. De um lado, o terrorismo radical, que elegeu os EUA como a representação de todo o mal que existe no mundo ocidental; de outro, o islamismo, que prega respeito por outras crenças e se autoproclama a religião da paz.
Essa religião foi fundada no século VII, no mundo árabe, pelo profeta Maomé. Isso pode explicar por que o islamismo está sempre associado a essa etnia, embora países como o Irã (persa), a Turquia (turca), o Afeganistão (patenes e tajiques), o Paquistão (punjabis e sindis) e a Indonésia (javaneses e malaios), a maior nação islâmica do mundo, sigam essa religião, sendo considerados países muçulmanos.
O Islamismo está dividido em duas correntes distintas, que se formaram após a morte do fundador da religião. São os xiitas e os sunitas. Os sunitas compõem 90% dos islâmicos. Em muitos países, há rivalidades entre as correntes e, dentro delas, existem seguidores mais moderados e adeptos mais radicais.
Não podemos esquecer, no entanto, que extremistas existem em quase todas as religiões.

O Islã fundamentalista

Em 1924, Mustafá Kemal determinou a separação entre o Estado e a religião islâmica, criando a república da Turquia. Muitos adeptos do islamismo nunca se conformaram com essa situação, temendo que a modernidade dos costumes ocidentais contaminasse seu povo. Esses fiéis extremistas recebem o nome de fundamentalistas ou integristas islâmicos e, embora afastados da política, sempre agiram nos bastidores, como oposição ao governo. A prática de atos terroristas foi e tem sido a forma mais comum de manifestar essa oposição.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Geopolítica - 3ª Série (Millenium)

O termo aparece pela primeira vez na obra do sueco Rudolf Kjéllen no início do século XX. Contudo, a geopolítica acadêmica aparece no século XIX, justificando as invasões e anexações territoriais no período do imperialismo e serviu de base para o expansionismo do Estado alemão, da sua unificação (1871) à Segunda Guerra.
Hoje a geopolítica é a ciência da estratégia. Nós a estudaremos, apenas mostrando o espaço geográfico sendo utilizado como forma de intervenção política. Não se pode compreender o espaço mundial sem fazer um estudo das relações de poder entre os Estados. Por isso, temos de procurar entender a geopolítica, ou seja, a forma pela quais os Estados fazem a sua política no plano geográfico ou espacial. É elemento de fundamental importância na geopolítica o poderio militar de cada país, bem como os planos e os estratagemas de cada Estado visando manter ou reforçar o seu poder, tanto na escala internacional como dentro de suas sociedades.
Um elemento importante para o estudo das relações de poder no plano mundial é o significado de grande potência. Uma grande potência mundial não é somente um país rico, mas principalmente um Estado poderoso, que impõe – pela diplomacia ou pela força, quando necessário – os seus interesses econômicos e políticos. É por isso que a ordem internacional (Ordem Mundial) de um período é o equilíbrio de forças entre as grandes potências mundiais, ou então no caso de existir somente uma, a forma como se dá a sua hegemonia. Tradicionalmente, a geopolítica nacional de cada Estado constitui o seu projeto de dominação interna e externa e, em especial, a sua aspiração de continuar sendo ou tornar-se uma potência regional (potência média) ou potência mundial (grande potência).
Até recentemente, considerava-se que, para ser uma grande potência, eram necessários, em primeiro lugar, um notável poderio militar e, em segundo lugar, um poderio econômico, normalmente considerado conseqüência do tamanho do território (recursos naturais) e da população (força de trabalho e também soldados). É por isso que grande parte das guerras que ocorreram na história da humanidade foi originada por disputas territoriais, por conquistas de áreas (e povos) por parte de um Estado em expansão.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A RECENTE EXPANSÃO DA OBESIDADE - 2ª série (Millenium)

Pela primeira vez na história da humanidade, o número de pessoas obesas em todo o mundo é praticamente igual ou talvez até superior ao de pessoas subnutridas. A obesidade significa um excesso de gordura corpórea, uma situação na qual a pessoa está bastante acima do seu peso ideal. Ela aumenta bastante os riscos de contrair inúmeras doenças, como hipertensão arterial, diabetes, problemas cardiovasculares, alguns tipos de câncer, etc.; além disso, uma pessoa obesa possui, em média, uma expectativa de vida muito menor que um indivíduo no seu peso ideal.

A obesidade vem se expandindo rapidamente no mundo nas últimas décadas, e não apenas nos países desenvolvidos. Veja estes exemplos:

· No país mais populoso do mundo, a China, uma pesquisa realizada em 2003 revelou que a proporção de obesos já chegava a 15% da população total – percentagem, portanto, maior que os 11% de subnutridos -, com o agravante de que, enquanto a subnutrição tende a diminuir, a obesidade aumenta a cada ano;
· Nos EUA, talvez o caso mais sério no mundo, a porcentagem de obesos atinge mais de 30% da população. Na realidade, talvez atinja 50% da população, pois os norte-americanos adotam um critério menos rígido que os europeus para definir obesidade;
· Na Europa e até no Japão, a proporção de obesos já ultrapassa os 20% da população total;
· Aqui mesmo no Brasil, uma pesquisa do IBGE publicada em 2004 mostrou que estão acima do peso ideal mais de 38 milhões de brasileiros adultos – com mais de 19 anos de idade -, dos quais cerca de 10,5 milhões podem ser considerados obesos. Isso quer dizer que por volta de 11% da população adulta brasileira (95 milhões, no total) sofre de obesidade, proporção bem maior que os 4% da população que o IBGE considerou subnutridos.

As causas da obesidade são o consumo excessivo de alimentos e, principalmente, um estilo de vida e de alimentação pouco saudável, com o sedentarismo (insuficiência de atividade física) e um consumo exagerado de alimentos industrializados ou de fast-food.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou recentemente o termo globesidade, que seria uma espécie de epidemia de obesidade produzida pelas mudanças acarretadas com o avanço da globalização. Segundo essa organização, estaria ocorrendo nas últimas décadas uma “transição alimentar” com um consumo cada vez maior de gorduras saturadas.

Ao contrário do que se pensa, não são apenas os ricos ou a classe média que sofrem desse problema, mas também – e às vezes até mais – os pobres. Nos EUA, por exemplo, quanto menor o rendimento das famílias, geralmente é maior a percentagem de obesos.

No Brasil, na China e no Terceiro Mundo em geral, pelo menos por enquanto, ainda ocorre o contrário, ou seja, a obesidade atinge principalmente os ricos ou a classe média.

Nos países desenvolvidos, com a descoberta do problema, as populações com maiores recursos passam a dedicar uma parte do seu tempo a atividades físicas, além de controlarem um pouco mais a alimentação, enquanto as pessoas com menos recursos – que em geral também são menos informadas – estão descobrindo ou usufruindo o que algumas vezes é um novo estilo de vida: sentar-se à frente da televisão ou do computador alimentando-se de forma desregrada com frituras, sanduíches, pizzas, pipoca com manteiga, refrigerantes, doces e outras guloseimas.