sábado, 15 de fevereiro de 2014

IBGE: negros ganharam 57% do salário dos brancos em 2013


Enviado por rogeriobeier
Do blog Hum Historiador
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta última quinta-feira (30) o resultado de sua pesquisa de emprego. Um dos resultados apontados pela pesquisa revela que trabalhadores de cor preta ou parta ganharam, em média, muito menos do que os indivíduos de cor branca no Brasil em 2013.
Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, um trabalhador negro no Brasil ganha, em média, pouco mais da metade (57,4%) do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. Em termos numéricos, estamos falando de uma média salarial de R$ 1.374,79 para os trabalhadores negros, enquanto a média dos trabalhadores brancos ganham R$ 2.396,74.
Embora essa desigualdade tenha diminuído nos últimos dez anos, ela continua bastante alta. Segundo dados retrospectivos do IBGE, desde 2003 os salários pagos a indivíduos de cor preta ou parda aumentaram, em média, 51,4%, enquanto o dos brancos aumentou uma média de 27,8%. Essa diferença observada nos últimos dez anos, fez com que a desigualdade de rendimentos médios recebidos por trabalhadores pretos e pardos em comparação com os mesmos rendimentos recebidos por trabalhadores brancos diminuísse apenas três pontos percentuais, saindo de 48,4%, em 2003, para os atuais 51,4% (ver pgs. 278-280 da pesquisa). Abaixo, disponibiliza a tabela retrospectiva dos valores médios reais recebidos por trabalhadores segundo a cor ou raça por regiões metropolitanas entre os anos de 2003 a 2013.
Tabela IBGE PME2013_rendimento medio negros e brancos
Tais indicativos são bastante eloquentes e mostram como a sociedade brasileira permanece clivada pelo preconceito e pelo racismo. Não parece exagero pensar que, para que ocorra uma mudança efetiva nessa situação, serão necessários décadas (talvez até um século), até que finalmente negros e brancos se equiparem salarialmente. Seguramente, o acréscimo desses três pontos percentuais na última década está relacionado com a política de transferência de renda e, também, a de valorização do salário mínimo implementada pelo governo Lula/Dilma na última década. Como se sabe, ações que não visam diretamente o aumento dos rendimentos de grupos de indivíduos de uma raça ou cor específica, mas que acabaram por atingir todas as pessoas que vivem com baixos rendimentos (um a três salários mínimos). Sendo os pretos e pardos maioria segundo esse critério, explica-se, em parte, essa pequena redução na desigualdade salarial entre brancos e negros. Contudo eu me pergunto: sem recorrer a ações afirmativas, será possível diminuir ainda mais essa enorme desigualdade em curto espaço de tempo? Quantas décadas mais de continuidade nas políticas de valorização de salário mínimo e transferência de renda seriam necessárias até que os salários de brancos e negros se equiparem? Ainda assim, é possível vislumbrar essa continuidade para as próximas décadas, imaginando as trocas de governo que deverão ocorrer?
AÇÕES AFIRMATIVAS
É justamente aqui que entra a efetividade de ações afirmativas como a instituição de cotas. É bastante provável que na próxima década, a diferença salarial entre brancos e negros será ainda mais reduzida graças a medida do governo Lula/Dilma em adotar o sistema de cotas raciais para o ingresso nas universidades públicas. Com as cotas nas universidades, uma barreira que praticamente impedia pretos e pardos da possibilidade de superar a condição de pobreza foi ultrapassada. Será justamente por conta das cotas que veremos, já nos próximos anos, mais negros ingressando em melhores condições no mercado de trabalho e alcançando maiores rendimentos. Sem a política da ação afirmativa, a barreira do acesso ao ensino superior de qualidade continuaria sendo um entrave, superado apenas por poucos indivíduos, mudando de forma quase irrisória a situação de pretos e pardos, quer no acesso a universidade, quer no aumento dos rendimentos. A questão que se faz agora é: devemos ampliar a política de ações afirmativas para outras áreas, como o acesso a empregos públicos, por exemplo?
Recentemente, um leitor do blog me questionava sobre a questão das cotas, posicionando-se contrário a elas por não acreditar que a sociedade trata de maneira distinta os indivíduos brancos dos pretos ou pardos. Para esse leitor, não há diferença entre um branco do que ele denominou “classe D” e pretos ou pardos pertencentes a essa mesma classe. Para esse leitor, portanto, se houvesse que se implementar o sistema de cotas no país, esse deveria levar em consideração critérios sociais, nunca raciais, pois se assim fizéssemos, estaríamos institucionalizando o racismo.
Ora, vê-se claramente que trata-se da repetição rasteira do discurso veiculado ad nauseam por intelectualóides como Demétrio Magnoli, Ali Kamel et al. Tentei argumentar que para analisar a condição atual dos pretos e pardos do país, não podemos nos furtar de olhar para o passado e entender como a sociedade brasileira se constituiu a partir de seu processo histórico, do qual é impossível deixar de lado a herança do escravismo. Indiquei textos de Sérgio Buarque de Holanda, explicitando o preconceito praticado no Brasil com base na cor, além da fala do Luiz Felipe Alencastro no STF, que esmiuçava a herança colonial na constituição de nossa sociedade, para ver se jogava um pouco de luz sobre essa ideia equivocada do leitor de que não há diferenças entre brancos e negros de mesma extração social no Brasil. Ainda assim, o caro colega preferiu manter suas ideias preconcebidas com base no modo como ele diz perceber a nossa sociedade (e na ideologia que lhe foi inculcada).
Tal como esse leitor, milhões de brasileiros, iludidos por um discurso veiculado incessantemente nos principais meios de comunicação, reforçam a ideologia de que vivemos em uma democracia racial, de que não existe racismo no Brasil e que qualquer tentativa de resolver as desigualdades estruturais verificadas entre negros e brancos com base em ações afirmativas trata-se, na verdade, de racismo. Cruel como todo discurso ideológico, ao desconsiderar os reflexos do escravismo no processo histórico de constituição da sociedade brasileira pós-abolição, na qual o preconceito e o racismo continuaram bastante presentes no quadro mental do brasileiro, pretende-se ocultar a reminiscência do racismo em nossa realidade cotidiana (perceptível até mesmo nos números oficiais produzidos pelo Estado). Cabe a nós, que conhecemos um pouco de história, ouvir criticamente o discurso e desconstruí-lo com base na maneira como se constituiu nossa sociedade através do tempo. Vamos continuar ouvindo esse discurso e seguir jogando para debaixo do tapete o quanto somos racistas no Brasil? Vamos desperdiçar outras oportunidades de arregaçar as mangas e exigir de nossos governantes que resolvam, o mais rápido possível, problemas vergonhosos como esse, no qual um trabalhador negro ganha, em média, pouco mais da metade do que um trabalhador branco? E tudo isso por quê? Só porque preferimos acreditar que não somos racistas? Ficam aqui as perguntas para que cada um reflita por si.

Jornal GGN

domingo, 26 de janeiro de 2014

Protestos fortalecem democracia no Brasil, afirma fundação alemã

sab, 25/01/2014 - 16:34 - Atualizado em 25/01/2014 - 16:46

Especialistas da Fundação Bertelsmann veem avanços com as políticas sociais adotadas pelo governo e avaliam que as manifestações representam "um começo e uma oportunidade" para o aprofundamento da democracia.
Fortalecido pelos protestos do ano passado, o Brasil continua bem posicionado no Índice de Transformação Bertelsmann (BTI), que avalia a consolidação da democracia e da economia de mercado em países em desenvolvimento e é elaborado pela Fundação Bertelsmann, da Alemanha. O índice bianual é composto por três indicadores (transformação política, transformação econômica e qualidade de governança) e avaliou 129 países em desenvolvimento entre 2011 e 2013.
No indicador de transformação política, o Brasil ocupa a 18ª posição entre os 20 países do grupo Democracias em Consolidação, que inclui todas as nações com nota acima de 8 (10 é a maior nota possível, 0 é a menor), ou seja, as mais bem classificadas. A nota brasileira é 8,15. O primeiro país da lista é o Uruguai, com 9,95.
No segundo indicador, transformação econômica, o Brasil aparece no segundo grupo, intitulado Economias com Mercado Funcional, com nota 7,89 e ao lado de outros 14 países. O primeiro grupo é o das Economias com Mercado Desenvolvido e também inclui 15 países.
No terceiro indicador, o Brasil é o terceiro colocado no grupo Muito Bom, com nota 7.3, ao lado de mais sete países, entre eles o Chile e o Uruguai. "Isso não significa, porém, que os governos desses países foram excelentes em todas as áreas", afirma o relatório.
Protestos de junho
Apesar de classificar a política e a economia como "fortes", o estudo diz que o governo brasileiro não se destaca em todas as áreas por causa da desigualdade social. "Isso mostra que o país deve sempre reavaliar como a discussão política inclui os marginalizados e os mais pobres. E como as políticas públicas estão de fato funcionando", explica Hauke Hartmann, gerente de projetos sênior da Fundação Bertelsmann.

Índice de Transformação da Fundação Bertelsmann (BTI 2014) avaliou 129
 
Segundo Hartmann, a administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff aprofundou o diálogo com a sociedade civil, mas o desafio de saber lidar com conflitos ainda é grande, sobretudo tendo em vista grandes eventos, como a Copa do Mundo. "É preciso melhorar a governança porque as expectativas ainda não foram atendidas", afirma.
No relatório, o Brasil é classificado como um país-motor da América Latina. Hartmann atribui o resultado à reforma social promovida pelo Bolsa Família. "Foi muito positivo, mas esses programas sociais precisam ser constantemente avaliados para se saber se estão surtindo efeito. É necessário manter a vigilância."
O relatório também cita os protestos realizados durante a Copa das Confederações, afirmando que eles apresentaram novas demandas ao sistema político, "às quais a elite brasileira ainda precisa se ajustar". Os protestos, tanto no Brasil como Chile, representam "um começo e uma oportunidade" para o aprofundamento da democracia, afirma o relatório.
"Além das regiões Centro-Leste e Sudeste da Europa, a América Latina estabeleceu-se como a única região do BTI que amplamente adere aos princípios norteadores da democracia, constituídos sob o domínio da lei e de uma economia de mercado equipada com medidas sociopolíticas corretivas", afirma o relatório. Porém, a maioria dos países latino-americanos pouco avançou, nos últimos anos, no processo de consolidação da democracia e da economia de mercado, complementa o estudo.
Uruguai como exemplo
Desde 2006, apenas quatro países da América Latina têm tido seguidamente bons resultados no índice – Brasil, Uruguai, Bolívia e El Salvador. Segundo Hartmann, o Uruguai é um exemplo de consolidação da democracia por abrir possibilidades de diálogo sobre educação e segurança e, ao mesmo tempo, conseguir integrar diferentes setores da sociedade.
"O governo é muito pragmático ao integrar o crescimento econômico com a tentativa de redução das desigualdades sociais. É também muito criativo na criação de programas sociais", explica. "Mas ainda é necessário avançar. Se falarmos sobre a desigualdade social, o Uruguai ainda está no mesmo nível da África Subsaariana."
O Índice de Transformação da Fundação Bertelsmann é publicado a cada dois anos e está na sexta edição.
                                        Fonte: Jornal GGN

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

OIT: 202 milhões de pessoas estão sem emprego no mundo

seg, 20/01/2014 - 14:48 - Atualizado em 20/01/2014 - 15:30
Relatório divulgado hoje (20) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que, em 2013, o número de desempregados no mundo aumentou 5 milhões. Com isso, o número de pessoas sem emprego é cerca de 202 milhões, o que representa uma taxa de desemprego mundial de 6%. Segundo o relatório Tendências Mundiais de Emprego 2014, a fraca recuperação da economia mundial não foi capaz de levar a uma melhora no mercado de trabalho.

No ano passado, a maior parte do aumento do desemprego mundial foi registrada nas regiões da Ásia Oriental e da Ásia Meridional que, juntas, representam 45% das pessoas em busca de emprego, seguidas da África Subsaariana e da Europa. Por outro lado, a América Latina contribuiu com menos de 50 mil desempregados para a cifra mundial do desemprego.

De acordo com a OIT, se a tendência atual se mantiver, o desemprego mundial continuará piorando e pode chegar a 215 milhões de pessoas em 2018. Nesse período, serão criados cerca de 40 milhões de novos empregos por ano, que representa um número menor do que os 42,6 milhões de pessoas que entram no mercado de trabalho anualmente.

O estudo destaca que a recuperação mundial do mercado laboral está sendo freada pelo déficit na demanda agregada. “Em muitas economias desenvolvidas, as drásticas reduções do gasto público e o aumento dos impostos sobre a renda e o consumo impõem uma carga pesada sobre as empresas privadas e as famílias”, disse a OIT.

“O que necessitamos com urgência é repensar as políticas. Devemos intensificar nossos esforços para acelerar a geração de empregos e apoiar as empresas que criam empregos”, disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

A duração do desemprego prolongou-se de maneira considerável, de acordo com a organização. Em países da zona do euro, como a Grécia e a Espanha, quem procura trabalho necessita do dobro do tempo – de 8 a 9 meses - para encontrar um emprego do que antes da crise financeira de 2008. Assim, “um número cada vez maior desses potenciais trabalhadores fica desalentado e sai da força de trabalho”, ressalta a OIT. Cerca de 23 milhões de pessoas abandonaram o mercado em 2013.

“Quando se estima que 23 milhões de pessoas abandonaram a busca de trabalho, é imperativo que sejam implantadas políticas ativas do mercado laboral com maior vigor para enfrentar a inatividade e o desajuste de qualificações”, assinalou o chefe da Unidade de Tendências do Emprego da OIT e principal autor do relatório, Ekkehard Ernst.

Segundo o estudo, o emprego informal continua alto e representa cerca de 48% do mercado de trabalho. Segundo a OIT, o ritmo de melhoria na qualidade do emprego está diminuindo, o que significa que um número menor de pessoas está saindo da pobreza. Em 2013, o número de trabalhadores em situação de extrema pobreza diminuiu apenas 2,7% em âmbito mundial, uma das taxas mais baixas da última década. São 375 milhões de trabalhadores vivendo com menos de US$ 1,25 dólar por dia.

O relatório acrescenta que uma mudança urgente rumo a políticas mais favoráveis para o emprego e a um aumento da renda derivada do trabalho impulsionariam o crescimento econômico e a criação de emprego. Além disso, para a OIT, é fundamental fortalecer a proteção social e a transição para o emprego formal.
(Jornal GGN)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

País desenvolvido - Atualidades

13 milhões vivem abaixo da linha da pobreza na Inglaterra

Sugerido por Antonio Carlos Silva
Da Carta Maior
Em 2011-2012, 128.697 pessoas recorreram a estes bancos. Em 2012-2013, a cifra quase triplicou: 346.992. Já há mais de 400 bancos de alimentos no país. 
Marcelo Justo 
Londres - É a sexta economia mundial, origem da revolução industrial, ex-império que dominou o mundo tem cerca de 13 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza. Com um duro plano de austeridade que está socavando lentamente o Estado de Bem estar, salários estagnados, explosão do emprego temporário e de meio-turno, muitos têm que recorrer aos bancos de alimentos das ONGs no Reino Unido.
Fundação Trussell Trust tem mais de 400 bancos de alimentos em todo o país. O impacto do programa de austeridade aplicado pela coalizão de conservadores e liberais democratas desde 2010 é claro. Em 2011-2012, 128.697 pessoas recorreram a estes bancos. Em 2012-2013, a cifra quase triplicou: 346.992. “Há muita gente que come uma vez ao dia ou tem que escolher entre comer e acionar a calefação em pleno inverno”, disse à Carta Maior o diretor da Trussel Trust Chris Mould.
Os especialistas medem a pobreza em termos absolutos (virtual incapacidade de sobrevivência) e relativos (em relação à renda média e às expectativas de uma época). Hoje em dia não ter uma geladeira é um indicador de pobreza; em 1913, data de invenção da geladeira doméstica, era um luxo. Segundo o Trussel Trust, um de cada cinco britânicos se encontram hoje em situação de pobreza relativa ou absoluta. “É fácil esquecer que se pode cair muito rápido nesta situação. Uma demissão, uma conta muito alta de eletricidade, uma redução dos benefícios sociais, um drama familiar e essas pessoas ficam sem nada”, explica Mould.

Esta pobreza se estende para além do desemprego. A atual taxa de desocupação de 7,7% (2,5 milhões de pessoas) encobre um panorama social complexo. Quase um milhão e meio de pessoas tem trabalhos de meio turno e com salários baixíssimos que geraram o movimento pelo chamado “living wage” (salário digno).

O percentual de subempregados (que desejariam trabalhar mais se pudessem) aumentou de 6,2% em 2008 para 9,9% hoje. “A maioria da ajuda estatal não vai para os desempregados, mas sim para pessoas que estão subempregadas ou têm salários muito baixos. Muitas vezes pela própria instabilidade destes trabalhos as pessoas entram e saem de situações de extrema necessidade”, diz Mould.

A esta pobreza de receita se somam outras formas no Reino Unido, como a chamada “pobreza energética” dificilmente visualizada na América Latina seja pela diferença climática ou porque ainda não foi conceitualizada. Este nível de pobreza afeta cerca de 3,4 milhões de pessoas (cerca de 6% da população) que tem que gastar mais de 10% de suas receitas para “manter um nível adequado de calefação” durante os cinco meses ou mais de duração do inverno britânico. Muitos não têm escolha e deixam a calefação desligada porque não podem pagar as contas.

Um caso particular

Uma britânica que não pode ligar a calefação no inverno é Geraldine Pool, de Salisbury, sudoeste da Inglaterra, diagnosticada com depressão, divorciada, com um filho e sem trabalho. A Carta Maior conversou com Pool, um caso típico do impacto devastador que a austeridade está tendo em muitas vidas. “Em 2011 perdi meu trabalho em uma biblioteca pública pelos cortes do governo. Desde então, busquei trabalho em administração, supermercados, seja o que for, mas é muito difícil para alguém com mais de 50 anos porque sempre preferem os mais jovens”, disse Pool.

O Estado paga a ela 61 libras semanais (99 dólares) a título de seguro desemprego e fornece assistência habitacional. “Não é suficiente. Se uso a calefação, as contas sobem para quase 300 libras semanais”. Neste momento não tenho água quente. Tenho que esquentar a água para me lavar”, explica Pool.

Pool tinha ouvido falar dos bancos de alimentos, mais foi por causa de sua médica do Sistema Nacional de Saúde que acabou indo a um. “Não queria recorrer a isso. Mas foi fundamental. Com os “vouchers” (vales) me deram latas de carne, peixe, massa, leite, açúcar. Umas seis semanas depois, no último Natal, tive um segundo pacote muito completo de alimentos”, assinalou à Carta Maior.
Os Bancos de Alimentos procuram trabalhar muito perto da comunidade e funcionam com as contribuições voluntárias da população e, em muito menor medida, de supermercados ou fazendeiros. “Cerca de 95% dos alimentos que temos vem das pessoas a quem pedimos que adquiram dois itens adicionais em um supermercado que sirvam para uma nutrição balanceada”, informa Mould.

Os bancos se conectam com figuras chave da comunidade em consultórios médicos, hospitais, serviços sociais, igrejas e, em alguns casos, da polícia que identificam as pessoas que podem necessitar estes vales para ter acesso a um pacote de alimentos. Em um caso raro de sensibilidade social, a polícia de Islington, no norte de Londres, não prendeu um jovem que havia tentado roubar pão e ovos de um mercado, após passar dias sem se alimentar direito. Quando a pessoa em questão, Adam, relatou seu drama o levaram ao banco de alimentos onde, segundo o testemunho dos próprios policiais, começou a chorar.

A Trussell Trust calcula que necessitará uns “200 ou 300 bancos de alimentos mais” para cobrir todo o Reino Unido, mas é consciente que, com toda sua boa vontade, funciona como um paliativo: necessário, muito útil, mas insuficiente. “Nós intervimos nestes momentos de emergência e se for necessário ampliamos nossa assistência. Mas o que é preciso é uma política social para o emprego, a habitação, salários dignos e estímulos ao crescimento. Devido a todos os cortes que ocorreram, estamos inundados de trabalho”, apontou Mould à Carta Maior.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Morre o ex-premiê israelense Ariel Sharon, 85, em coma desde 2006


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Trajetória de Ariel Sharon18 fotos

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O ex-primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, em foto de 1948, ano da criação do Estado de Israel. Sharon nasceu na Palestina, em 1928, e ainda jovem ingressou na organização militar clandestina judaica Haganá, lutando como comandante de pelotão na guerra árabe-israelense de 1948 a 1949. Nos anos 50, liderou uma equipe de forças especiais contra tropas do Egito. Em 1967, já general, durante a Guerra dos Seis Dias, comandou a divisão que conquistou Jerusalém Oriental, Cisjordânia e a Faixa de GazaAFP
O ex-primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, 85, morreu neste sábado (11) de falência múltipla de órgãos, no hospital de Tel Hashomer, perto de Tel Aviv, confirmaram o governo israelense e a família de Sharon. A notícia tinha sido dada mais cedo pela Rádio Militar de Israel, citando familiares do líder.
Ele estava internado na unidade de saúde em coma desde 2006, quando teve um acidente vascular cerebral. 
Sharon participou da criação do Estado de Israel, em 1948, e teve vários postos nas Forças Armadas e em sucessivos governos do país. Por sua atuação no Exército e na política, foi acusado pela Justiça de seu país e por grupos de direitos humanos de ser responsável por diversos massacres de civis palestinos desde 1952.
Como primeiro-ministro, foi idealizador do muro que separa os territórios palestinos de cidades e assentamentos judeus e ordenou a retirada das colônias ilegais da faixa de Gaza.

Relembre a trajetória de Ariel Sharon

Sharon nasceu na região da Palestina em 1928, quando a região estava sob domínio britânico. Ele participou da milícia Haganá - que lutava pelo fim da autoridade inglesa na região - em 1942, quando tinha apenas 14 anos de idade.
Posteriormente foi comandante de brigadas do Exército de Israel durante a ofensiva das tropas árabes logo após a criação do país, em 1948.
Em 1952, ele se tornou líder da Unidade 101, responsável por ações militares de retaliação em territórios palestinos – muitas das quais criticadas por violações dos direitos humanos, tal como o Massacre de Qibya, no qual 69 palestinos morreram - mais da metade dos mortos eram mulheres e crianças.
Sharon ingressou na política em 1973, eleito para o parlamento israelense pelo partido de direita Likud. Ele renunciou em seguida para trabalhar como assessor de segurança nacional para o premiê Ytzhak Rabin.
Em 1977 foi reeleito. Em 1981, se tornou ministro da Defesa do governo de Menachem Begin. Como chefe da pasta, Sharon comandou a invasão do Líbano, em 1982, em represália aos ataques com mísseis lançados deste país por militantes da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), de Yasser Arafat (1929-2004).
À época, ele foi acusado de agir sem a autorização do primeiro-ministro. A ação no país vizinho expulsou a OLP do Líbano, mas deixou um saldo de centenas de civis palestinos mortos, grande parte deles dentro de dois campos de refugiados de Beirute que estavam sob o controle do Exército de Israel – episódios conhecidos como os massacres de Sabra e Shatila.
Em 1983, Sharon foi forçado a deixar o cargo por um tribunal israelense que investigava os massacres. A Justiça concluiu que o ministro foi indiretamente responsável pelas mortes.

Retorno à política

Apesar da renúncia, Sharon continuou popular entre a direita israelense, tendo participado de sucessivos governos.
Como ministro da Habitação, em 1990, foi um entusiasta da política de assentamentos judeus em territórios palestinos, tendo sido responsável pela maior construção de colônias e estradas na faixa de Gaza e na Cisjordânia desde que os territórios foram ocupados por Israel, em 1967.
Sharon foi ministro do Exterior do governo de Benjamin Netanyahu, em 1998, e em 1999 se tornou o líder do Likud.
Depois do fracasso das conversações entre Israel e a Autoridade Palestina, em Camp David (EUA), em 2000, Sharon tentou colocar a opinião pública contra o premiê Ehud Barak, dizendo que ele era um usurpador disposto a trocar Jerusalém por um acordo de paz.

Estopim da segunda intifada

Ainda em 2000, Sharon despertou a ira dos palestinos ao visitar o complexo religioso conhecido como Haram al-Sharif pelos muçulmanos em um dia sagrado islâmico. O episódio, visto como provocação pelos árabes, deu início à segunda intifada (revolta).
Em 2001, ele foi eleito primeiro-ministro com um discurso de "segurança e paz", afirmando que não iria "se dobrar" aos palestinos.
Foi de Sharon a ideia de construir um muro separando cidades e assentamentos judeus dos territórios palestinos. Ele ordenou a retirada de assentamentos judeus em Gaza, mas descartou outras remoções.
Em 2005, Sharon deixou o Likud e criou o partido Kadima, no qual esperava ser reeleito como premiê. O acidente vascular cerebral, no entanto, frustrou os planos de Sharon. (Com informações da BBC e de agências de notícias)  - uol notícias

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Calendário oficial

As demais datas, este ano, serão em fins de semana. A portaria não estabelece se nos dias dos jogos da Copa do Mundo, entre 12 de junho e 13 de julho, em 11 capitais e no Distrito Federal, os expedientes serão suspensos.
São feriados nacionais, em 2014, as seguintes datas:
1º de janeiro – Confraternização Universal (quarta-feira)
18 de abril – Paixão de Cristo (sexta-feira)
21 de abril – Tiradentes (segunda-feira)
1º de maio – Dia do Trabalho (quinta-feira)
7 de setembro – Dia da Independência (domingo)
12 de outubro – Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil (domingo)
2 de novembro – Dia de Finados (domingo)
15 de novembro – Proclamação da República (sábado)
25 de dezembro – Natal (quinta-feira)
São considerados pontos facultativos os dias:
3 de março – segunda-feira de carnaval
4 de março – terça-feira de carnaval
5 de março – Quarta-Feira de Cinzas (até as 14h)
19 de junho – Corpus Christi (quinta-feira)
28 de outubro – Dia do Servidor Público (terça-feira)
24 de dezembro – véspera da Natal (a partir das 14h)
31 de dezembro – véspera de Ano-Novo (a partir das 14h)
Além desses, as datas comemorativas de credos e religiões, de caráter local ou regional, podem ser respeitadas, mediante autorização da chefia imediata do trabalho do servidor, para posterior compensação. Caberão aos dirigentes dos órgãos e entidades a preservação e o funcionamento dos serviços essenciais afetos às respectivas áreas de competência.
FONTE:  Agência Brasil

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Energia BR - (Volta no tempo)

A história da primeira hidrelétrica do Brasil

Do colega comentarista e cineasta Josias Pires, a história da primeira hidrelétrica do Brasil e o empreendedorismo de Delmiro Gouveia.
Do blog Bahia na Rede
Queda do Angiquinho aproveitada por Delmiro Gouveia para fazer a primeira hidrelétrica do Brasil. Foto Danilo Pereira
Queda do Angiquinho aproveitada por Delmiro Gouveia para fazer a primeira hidrelétrica do Brasil. Foto Danilo Pereira
Por Josias Pires
A região circunvizinha à cidade de Paulo Afonso e da sua monumental cachoeira, cujas águas foram domadas pelo engenho humano e pela força das turbinas para a geração de energia elétrica, constitui-se território de características singulares. Ali desenrolaram-se acontecimentos protagonizados por personagens de alta relevância para a história brasileira, particularmente no século XX. Acontecimentos e personagens exemplares para a quadra atual em que vivemos.
No apêndice do livro “Quem foi Delmiro Gouveia” (Mauro Mota, Arquimedes Edições, 1967) foi republicada reportagem do jornalista e romancista sergipano Paulo Dantas, originalmente veiculada no jornal paulista O Tempo, em 4 de setembro de 1955, cujo título é “3 gigantes do Nordeste: Lampião, na valentia; Padre Cícero, na oração; e Delmiro no trabalho”, título tirado de um poeta popular delmirense, Antônio Rodrigues de Andrade, vulgo Mainha.“A síntese é maravilhosa. Através dela está expresso todo o inconsciente coletivo de um povo, de uma região. Delmiro Gouveia é cultuado como uma espécie de santo das máquinas, de profeta de realizações positivas”, comenta o jornalista.
Quase 60 anos depois é possível afirmar que no imaginário coletivo da região de Paulo Afonso tornou-se onipresente a figura de Lampião e a saga violenta e romanesca do bando de guerrilheiros, que soube enfrentar corajosamente o despotismo dos coronéis, especialistas em construir fortunas mandando matar desafetos. Aqueles governadores dos sertões cresceram tornando Lei as suas vontades pessoais.
Lampião, de fato, encarna o símbolo do bandido que se bateu contra este estado de coisas, contra o quadro de injustiças profundas que dominava o Nordeste. Bateu-se, igualmente, de modo violento e, muitas vezes, confundindo-se com a violência dos dominadores, como se espelho fosse do comportamento dominante.
Delmiro Gouveia é herói de outro quilate, é o “civilizador de terras, águas e gentes”, na definição do poeta pernambucano Mauro Mota. Delmiro é o gigante cearense, pioneiro e nacionalista, um dos primeiros a investir na industrialização do Brasil, responsável pela construção da primeira usina hidrelétrica do país – dentre outros feitos extraordinários – porém sobre a sua memória ainda paira inacreditável silêncio.
Enquanto sobre Lampião há centenas de livros publicados, milhares de reportagens veiculadas na imprensa e em meios audiovisuais, dezenas de filmes produzidos – inclusive uma película realizada em 1936 com a participação direta dos cangaceiros vivendo na caatinga – sobre Delmiro Gouveia a situação é bem diferente. São poucos os livros publicados, poucas as referencias em reportagens; da sua figura não há uma única imagem em movimento; e sobre a sua história apenas um filme foi realizado, “Coronel Delmiro Gouveia”, do cineasta baiano Geraldo Sarno, em 1977.
Delmiro Gouveia enfrentou em vida, com ousadia e intrepidez, a força do truste internacional que dominava o mercado de linhas de coser, levantou na caatinga alagoana, em meio a um deserto de terras áridas, a Fábrica da Pedra, construiu uma cidade e plantou uma nova mentalidade nas primeiras décadas do século XX. Apesar do gigantismo das suas ações, tendo sido o pioneiro na geração de energia elétrica de Paulo Afonso, sua atividade criadora passou em brancas nuvens quando da inauguração da CHESF (1954), pois nenhum dos oradores presentes ao ato citou, nos seus discursos, o nome do pioneiro.
A imperdoável omissão foi classificada, na época, pela filha de Delmiro Gouveia, Maria Gouveia, como resultado do “truste nacional do silêncio” que continuava atuante no sentido de tentar esconder do país e das novas gerações o papel revolucionário que Delmiro Gouveia exerceu nos sertões nordestinos. Um coronel que, em plena época do cangaço, jamais mandou matar um indivíduo.
Delmiro Gouveia era movido por larga visão social, fez fortuna vindo de baixo e revertendo para os mais pobres parcela considerável do que ganhava no comércio e na indústria. Isto pode ser comprovado na construção do Mercado do Derbi, em Recife, no final do século XIX, o primeiro shopping center do país, cujos produtos de primeira necessidade eram vendidos a preços abaixo do mercado. Assim como se viu na Fábrica da Pedra, onde implantou escolas para todas as faixas etárias e estimulava a formação e o crescimento pessoal de todos os que ali viveram.
Em janeiro de 2013 completaram-se 100 anos da implantação da primeira usina hidrelétrica do país, a usina de Angiquinho, no lado alagoano da cachoeira de Paulo Afonso. Em junho de 2014 fará um século a inauguração da Fábrica da Pedra, que disseminou para o país e para a América do Sul a marca da linha Estrela. 2017 completará um século do assassinato do pioneiro, colhido à bala aos 54 anos de idade, por pistoleiros à mando de seus inimigos, interrompendo a saga que deu início ao sonho de desenvolvimento para todo o Nordeste, que este era o projeto maior do Rei do Sertão.
Josias Pires é jornalista e documentarista